Archive for the 'cruz credo vade retro' Category

Medinhos medonhos 1

Eu sempre fui super impressionável; quando era pequena não podia nem passar na frente da prateleira de filmes de terror na locadora que já sentia as mãos frias e o coração acelerado. Os títulos, as capas, era tudo MUITO apavorante. Eu passava por eles meio que olhando para o chão, para os lados, tentando não prestar atenção naquilo tudo. Meu medo quase fóbico tinha uns toques masoquistas, também: eu acabava lendo a sinopse no verso de uma ou outra capa realmente tétrica. E ficava com aquilo na cabeça por vários dias. Na real, não sei porque fazia isso. Era tipo uma curiosidade mórbida, bizarra. Da porra do ‘Hellraiser’, por exemplo, com sua cara cheia de alfinetes medonhos, nunca consegui me livrar totalmente e ainda fico meio arrepiada quando lembro da imagem. E eu NUNCA o assisti, é claro.

O problema é que essa condição não mudou com o tempo: até hoje eu fujo de filmes com capetas, cabeças cortadas, sessões de tortura, possessões malévolas, fumaças estranhas, vampiros, bruxas, zumbis, seres do limbo, gosmas e etcéteras. Chega a ser engraçado me acompanhar durante cenas com um pouquinhos mais de suspense. Invariavelmente eu me escondo atrás de uma almofada ou blusa de frio e, nos momentos escabrosos MESMO, chego ao cúmulo de tapar os ouvidos, no melhor estilo ‘não vejo, não ouço, não estou aqui’. Olha que mico. Eu tenho 25 anos, porra! Quando é que isso vai passar?

Lembro de quando vi ‘A Bruxa de Blair’ no cinema, com toda aquela atmosfera de documentário que criaram para a porra do filme. Tive que sair da sala e tomar água, dar uma passeada pelo cinema, me acalmar. E depois ainda fiquei umas quatro noites sem dormir direito. Mas sabe o que é pior? Eu NÃO aprendo.

Anos depois, lá vou eu no cinema assistir, por livre e espontânea vontade, ‘O Exorcismo de Emily Rose’. Caralhoputaquepariu. É a típica historiazinha de possessão, com demônios, padres e coisas estranhas que acontecem e ninguém explica. Mas sabe o que fode com quaquer racionalidade que eu tente ter? Aquela sentença que o cinema adoouura: ‘baseado em fatos reais’. ‘Baseado em fatos reais’ FODE com a minha imaginação. Porque aí eu não posso me agarrar ao mantra dos medrosos em filmes de terror - isso não existe, isso não existe. Porque EXISTE, sacou? E a minha criatividade masoquista vai looonge, looooonge… e a insônia de tensão vi batendo recordes sucessivos.

Por isso, por favor, não me convidem para filminhos tétricos, mesmo dos mais leves. Nem para aqueles de suspense sagüinolentos com gente despedaçada. Na verdade, só me chamem para desenhos animados com finais felizes, tipo ‘A Pequena Sereia’. Que, aliás, dentre os da Disney é o meu predileto ;)

 

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Celular movido a álcool
A Lógica do Primário
Dia do que, mesmo?

Fucking dia dos namorados

Ok, ok, eu tava indo bem. Sério, este ano eu tava indo realmente bem. Nem prestei atenção nas propagandas na tv, as vitrines cheias de coração não me afligiam, os planos de casais conhecidos nem chegaram ao meu conhecimento. Mas aí tive que escrever um texto justamente sobre o Dia dos Namorados (e aqui vai com maiúsculas, porque é um dia tão desgraçadamente odiado por mim que merece atenção de data especial) e pronto. Me pus a pensar no bendito 12 de junho como se realmente fosse um caso de vida ou morte.

A coisa toda começa em abril. Por alguma coincidência irônica do destino, acabo me lembrando que o tal dia está chegando. E começo a fazer as contas de quanto tempo ainda me resta para arranjar um namorado a tempo passar a data acompanhada - não sozinha, ao menos. Eu sei, é RIDÍCULO. E saber o quão imbecil sou por toda essa linha de raciocínio me deixa ainda mais culpada. Terrivelmente culpada, diga-se. Eu meio que não admito nem para mim mesma, tem noção? Isso deve ser doença, certeza. Se algum psiquiatra ou terapeuta ler esse texto, se compadecer do caso e quiser patrocinar o tratamento, eu super topo. Só por favor nada de eletrochoques ou lobotomia - todas as outras bizarrices da minha personalidade meio que me agradam deveras.

Voltando ao assunto. Nos anos anteriores, rolava sempre uma depressão. Eu me preparava psicologicamente para enfrentar os casais imbecis que encontraria no caminho, os comentários das amigas comprometidas, as hordas de entregadores de flores e as propagandas clichês de motel, rede de perfumaria, restaurante e celular que invadem a vida do tranqüilo consumidor nessa época do ano. E eu juro: por mais que me esforçasse, nunca dava certo. Mantinha aquela pose de ‘foda-se’, mas tudo o que eu queria era alguém para lembrar de mim e de quem lembrar quando o despertador tocasse acusando a temida manhã do dia 12 de junho.

O pior ano foi quando teimei em ir ao cinema do shopping em plena noite dos namorados. Cara, eu sou mesmo muito descompensada. Aquilo me abalou mais que a morte da minha pet. Cheguei em casa com o coração em frangalhos, parecia que todos os caras de quem tinha gostado no universo haviam me dado um pé na bunda simultâneo. Chorei duas piscinas olímpicas de lágrimas, comi um pacote de meio quilo de sonho de valsa e dormi com os olhos inchados. Sozinha, lógico. Prometi que nunca mais faria essa merda.

E este ano, como comentei, tava indo bem. Até 15 minutos atrás. Tipo que já sei que quinta-feira não vou querer levantar da cama. Mas essa maldita sensação de ‘unfit’ vai passar, tenho certeza. Tem que passar. Até lá vou aceitando sugestões. O que vocês fazem para fugir desse tipo de data criada pelo demo?

E não, propostas de namoro de última hora não serão aceitas como sugestão. A não ser que seu primeiro nome seja Colin e o último Farrel ;)

 

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Ode ao beijo roubado
Ser corno ou não ser
Diamonds are a girl’s best friend

Só faltou canal de filme pornô

Estrupícios, eu sei que tô devendo a vocês a continuação da campanha Conheça a Rachel e ganhe $ 10,00 e também o post seguinte da série No olho da rua: minha vida como desempregada. I know, I know, I know. Semana que vem, tenham paciência.

Antes preciso contar da mais nova aventura em São Paulo. Bem, eu não comuniquei oficialmente mas estou mudando para a terra da garoa. Na verdade sou uma feliz moradora da cidade desde ontem. E, logicamente, como não podia deixar de ser, mal cheguei e a coisa já se complicou de leve.

Eu tipo que ainda não tinha onde ficar. É, me mudei sem ter onde morar. É, eu não sou totalmente normal. Poderia contar todo o processo aqui, mas é muito longo e chato de explicar; saibam apenas que tinha que recorrer a um hotel qualquer. Isso nem seria tão estranho se não fosse o fato de São Paulo ainda estar no surto turístico provocado pela Parada Gay e TODOS OS FUCKING HOTÉIS ESTAREM LOTADOS. Quer dizer, todos, todos, não. Certeza que no Emiliano ou no Renaissance eu conseguiria facilmente um quarto. Mas né?, teria que vender meu carro para ficar hospedada lá, então thank you very much but no.

Daí que fui para um hotel mais… tipo… moquifo. Em minha defesa tenho a dizer que pela internet não parecia tão ruim. Sabia que as fotos poderiam ser antigas/fakes/maquiadas e ainda assim decidi arriscar. E por ‘arriscar’ entenda-se ARRISCAR: cheguei quase à meia-noite e sem plano B. Hehe. Momento das risadas perversas dos estrupícios queridos, vamo lá, podem rir.

na entrada o Bora Bora Inn (vamos chamá-lo assim) não me enganou: aquele neon verde anunciando o nome ORDINÁRIO do estabelecimento serviria de atestado para assegurar a quinta categoria em qualquer lugar do mundo, mas havia mais. Muito inocente, eu tinha feito uma reserva no dia anterior e até avisei que só chegaria à noite. Entrento, assim que pisei no hall, percebi que aquilo lá nunca ficaria lotado. Não a noite toda, ao menos.

Porque sim, estrupícios, eu fiquei num hotel-motel, com direito a janelinha giratória para colocar a conta e os pedidos de restaurante sem que o funcionário tenha que ver a cara - e as partes - dos hospedados. Meu segundo susto foi com o espelhão imeeeeenso no quarto e com a roupa de cama bege, a cor tradicional para esconder sujeiras e falta de limpeza at all.

Gente, tenso. Tipo TENSO. Não sei se comentei aqui, mas tenho um nojinho justificado de motel. Não do banheiro ou dos lençóis, porque acho que nos de qualidade tudo é limpinho e trocado de um cliente para outro. Meu nojo é, na verdade, de partes específicas que TENHO CERTEZA nunca são limpas, como controle remoto e botão de regulagem do ar condicionado. Pô, ninguém termina de fazer sexo, vai ao banheiro e lava as mãos! E daí que todo mundo vai com a mão, humm… não lavada mexer na intensidade do ar e ver os canais da tv!

Se ficar só algumas horas num motel de quinta já seria torturante para mim, imagine passar uma noite inteira? Pior: fiquei lembrando daqueles filmes B de terror que sempre se passam em hotéis-motéis sinistros. Enfim, foi uma noite cabulosa, não espero passar por nada assim again.

E claro: mal raiou o dia já corri para outro canto. Um lar doce lar para chamar de meu. Agora sim. Wish me luck! ;)

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Aventuras na Zona Leste, parte 1
Aventuras na Zona Leste, parte 2
Limpeza de pele from hell

Porque você tem que detestar o inverno assim como eu

Gente, começou a época do ano que eu mais sofro. Não, não é com a proximidade do Dia dos Namorados, seus estrupícios malvados, é com o inverno. Ok, eu sei que ainda estamos no outono; meu problema é, na verdade, com o frio.

Por mais que eu tente, não consigo me adaptar muito bem aos dias frios. Meus pés ficam gelados agora e só vão esquentar de novo lá para agosto, setembro. É uma calamidade. Não tem romatismo que resista a pés gelados, you know. No fundo acho que a minha incompetência em arranjar um namorado até o dia 12 de junho é culpa única e exclusiva desse frio bizarro que chega agora. Eu arranjo o cara no verão, daí meus pés de morto espantam ele em maio ahahahahahahaha

Vocês tem que se lembrar que eu venho da cidade mais quente do estado de São Paulo, onde no verão temos 45ºC sem muito alarde. Tô acostumada a passar protetor solar para ficar em casa, a fazer festas na piscina e a comprar shorts e sandálias. Onde nasci o inverno dura pouquíssimo, tipo quatro ou cinco dias no máximo. Por isso fico tão desconfortável com qualquer massa de ar polar vinda da Argentina.

Tudo no inverno é muito pior ou mais difícil, por exemplo:

1. tomar banho é um tormento.
Tudo bem que um monte de água quentinha é uma delícia, mas e a porcaria do chão gelado? Além de levar uns bons minutos até que tenha se aquecido debaixo do chuveiro, aquele piso frio é fatal para ganhar uma boa dor na costas e arrepiar até o último cabelo da nuca.
E dá uma preuiça monstra sair da água quente-fervente e se enfiar na toalha gelada…

2. acordar cedo é um tipo de tortura física, além de mental.
Levantar pela manhã é horrível em qualquer época do ano, mas no inverno é bem pior. Além dos dias estarem curtos e o sol levar muuuuuuuuuuuito mais tempo para aparecer, pular fora das cobertas quentinhas e do quarto aquecido para encarar água gelada e vento frio é MUITO triste. As segundas-feiras ficam um pouco piores no inverno.

3. todo mundo fica gripado.
Coriza, nariz vermelho, dor de garganta, de cabeça, mal estar… precisa de mais motivo?

4. peso extra de inverno.
Quem é que não ganha uns bons quilos a mais por culpa dos caminhões de fondue de queijo, chocolate quente e festa junina cheia de coisas gostosas? Para agravar o efeito roliço, é terrivelmente difícil malhar no inverno, já que a academia fica gelada e os cobertores super convidativos ;)

5. todo mundo resolve ir pra Campos do Jordão passar frio. E ainda acham que isso é programa decente!
É aquela época cafona em que Campos fica lotada e a Caras monta um lounge por lá. E aí as celebridades podem posar para fotos com casacos de couro que saem do armário uma vez no ano e cachecóis poeirentos. E lareiras fumacentas que nunca funcionam 100%.

6. as tvs só falam de ‘mínimas’ e ‘massas de ar polar’.
E prevêem a famosa neve anual em São Joaquim, fazendo a cidade ficar cheia de turistas bregas ansiosos para brincar naquele gelinho sujo que insistem em chamar de ‘neve’. Sorry, pessoal de São Joaquim.

Alguém ae tá ansioso aguardando o próximo feriado para ir para Campos ou pela primeira neve do ano em Santa Catarina?

****

A partir de agora, ao final de cada novo texto vocês verão links para textos com temas similares e que já foram publicados pelo blog. Entendam como um convite explícito para peças anteriores do Coisa Errada e para o arquivo que contém muitas outras coisas erradas ;)

ps 1: a promoção Conheça a Rachel e ganhe $ 10,00 está se aproximando da data limite, 15 de maio. Já está participando, estrupício? Crie um banner para o blog e envie para o e-mail juraski.rachel@gmail.com Se escolhido, você ganha cheque no valor de 10 conto com a MINHA assinatura e, se morar em São Paulo, entregarei pessoalmente seu prêmio!

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As oito coisas que você deve fazer antes de morrer
Continho - A Zelite Branca
Nouvelle vague brasileira
A dura vida dos fugitivos de academia

Que? Ressaca? Aaah, depois…

* update sóbrio: para entender toda essa pasmaceira que escrevi TOTALMENTE embriagada, leia antes ESTE POST.

Gente. Tô eu aqui. Falei que voltaria pra deixar um post pra vcs? Pois bem… 29 malucos (é mta gente, vcs com certeza me amam) quiseram falar comigo por MSN, mas neste momentoestou contando meus percalços somente pro Renan e rpro Alex, já que só eles tão online dentre os que eu quis add,

Os outros me desculpem, eu tentei mas vcs estava dormindo :P
Meu estômago tá uma merda. Nota mental: não beber tanta vodca da próxima vez. A porra da balada era de música sertaneja mas eu curti o suficiebnte. Curti basttante, na verdade. Outra nota mental: quanto foi mesmo que eu gastei ontem? Qual o nome do cara que eu bjei ontem?? Gemnte, eu beijei um cara ontem (e fiz mais lagumas coisas, hehe, sem perfuntas) mas não lembro direito o nome dele. Pedro??? Isso! Acho que é Pedro. E teve também um cara LINDOOOO que não quis nada cmigo. Recado pro cara qye não quis me bjar ontem: fiquei lá plantada, esperando vc tomar uma atitude e nada?? Vai se fuder. Peguei outro, ahahaha.  

 Enfim, vcs sabem: balada, o cara pego o meu cel, minha amiga foi embora com meu cartão de crédito, não lembor exatamente como entrei em casa, não sei o nome do outro cara que me xavecou a noite toda, bla bla bla;  Coisa s sem importância. Vou dormir e ver se me recupero até amanhã. Diz o Alex (que me add no MSN - quem não me add no MSN está perdendo mó discussão filosófica) que estou fechando um ciclo. Eu bem que podia estar fechando um ciclo sem esse gosto de cabo de gaurda-chuva na boca. E olha quye eu nem dormi ainda e JÁ estpu com gosto de cabo de gauda-chuva.

Mas enfim. Discusões filosóficas do meu MSN. quem não estava acordado na hora, perdeu todo o papo. Amanhã tem mais.

Isso aqui faz parte de uma campanha, feita só por garotos para a Papo de B~bado mas que ueestou invadindo:

Galera, mais de 5h30 da manhã. A ressaca amanhã vai ser foda.

ps: Estão me mandando tomar um banho gelado e ir pra cama. Farei isso.

ps 2: Verdade qye o Corinthians perdeu de3×1  pro Goiás??? :/

ps 3: GENTE, VINTE E NOVE PESSOAS TENTARAM ME ADD, VCS REALMENTE ME AMAM, CERTO?

UPDATE SÓBRIO: 11 horas da manhã. Acabei de acordar e vim LER o que tinha escrito porque nem isso eu lembro. Caralho, e esse gosto de cabo de guarda-chuva? Parece que comi um rato morto. Receitinhas rápidas para acabar com ressaca, favor enviar para o meu e-mail :P

No olho da rua: minha vida como desempregada, parte 1

No dia 17 de março pedi demissão ao meu chefe. Trabalhava - trabalho, já que meus 30 dias de aviso prévio não se terminaram, explico já - havia 2 anos na mesma empresa, na mesmo cargo, ganhando para isso o mesmo salário. Entretanto, como vocês podem adivinhar, exercendo muito mais funções do que aquelas que normalmente caberiam a alguém com o meu nível hierárquico. Além disso, eu camelava em regime quase escravocrata para um gerente que aparecia para trabalhar às 11 da manhã, tirava três horas de almoço e ficava o resto do tempo assistindo a videos do Terra. Veja bem: vi-de-os do Ter-ra. Que raio de vadiagem malemolente é essa?

Coloquei a situação na balança: eu suportaria continuar trabalhando numa atividade que não me satisfaz, mas ganhando um pouco mais para isso? Se sim, compensaria continuar na mesma empresa? E o mais importante: quanto vale minha sanidade mental? Porque ao pedir um aumento para seguir sob a sombra do mesmo louco psicopata preguiçoso que vem a ser meu chefe, eu estava atribuindo um valor à minha saúde. Trabalhando com o João (vamos chamá-lo assim), estava me aproximando daquela linha que divide as pessoas que distiguem o certo do errado dos malucos que matam a machadadas, cozinham o corpo e comem os pedacinhos. Com catchup Heinz. A parte gastrônomica do processo nunca me interessou, mas eu já andava pesquisando preços de machados e serras elétricas. Podia vislumbrar as manchetes: ‘Jason feminina ataca no interior de SP’ ou ‘Retalhou o chefe e foi ao cinema’.

Quando você chega à conclusão que só por muito, mas muito dinheiro consideraria continuar trabalhando, é porque o momento de sair fora chegou. É lógico que houve um estopim: eu já estava num ritmo de trabalho insano havia duas semanas e o imbecil testou minha paciência por três vezes seguidas numa sexta-feira. Na segunda-feira de manhã pedi demissão. E senti um alívio, uma alegria, uma libertação tão grandes que mesmo que me fodesse terrivelmente nas próximas semanas estava 100% segura de que tinha tomado a melhor atitude.

Isso foi em 17 de março, quase um mês atrás. Desde então estou procurando outro emprego com aquela obsessão dos que vêem a rua da amargura se aproximando cada vez mais rapidamente. Como a anta do João se tornou absolutamente dependente de mim e nada naquela porra de departamento anda se eu não estiver presente, ele me pediu para ficar até 31 de abril, para que haja tempo para contratar e treinar uma substituta (opa! Música das piriguetes?). Aceitei porque, afinal de contas, eu estou desempregada. O problema é ter que trabalhar para uma pessoa que recém descobriu que você a detesta. As coisas não andam fáceis, vou relatar algumas das merdas nos próximos dias. Se algum leitor ae estiver contratando e quiser meu currículo, me avise por e-mail :D  Sabe o motoboy lifestyle? Correria, mano, tamo na correria.

Eu tinha pensado em começar um novo blog falando do minha primeira e incipiente experiência como desempregada, mas espero que não dure tanto tempo a ponto de render arquivo. Acho melhor fazer só uma série especial por aqui mesmo, e torcer para que não tenha muitos capítulos.

Eu prefiro jogar gamão!

Algum homem imbecil um dia disse que sexo é igual pizza: até quando é ruim, é bom. Há outras analogias igualmente idiotas, como com o chocolate – mesmo o meio-amargo é gostoso. Porém, meu problema não é com o estilo pára-choque de caminhão mega cafona das comparações e sim com a idéia ABSURDA que vem embutida nessas frasesinhas de mal gosto exemplar.

Não sei quando esse mito se disfarçou de verdade. Entretanto, por mais venerado que tenha se tornado hoje, o sexo continua sendo uma atividade passível de classificação. Distingüir o que é ótimo do que é imprestável é parte da natureza humana e fazemos esse tipo de separação todo o tempo. Ou vai dizer que tu não sabe diferenciar aqueles arfadinhos tímidos dos gemidos acorda-quarteirão que sua namorada emite quando numa performance realmente esforçada?

Sexo ruim é enfadonho e desgastante, como qualquer balada ruim, livro ruim, emprego ruim. Tem-se a sensação de perda de tempo e energia em algo que não traz a satisfação esperada.  

Aquela rapidinha meia-boca, sem muita química e tempero, é aceitável mas não pode se tornar padrão. Muito menos alto-padrão. E pior ainda ser apontada como ‘boa’, só por se tratar de sexo. A gente sabe que sexo BOM de verdade é feito daquela matéria especial que combina pele, cheiro, toque, calor e muita vontade. Melhora a pele, deixa um sorriso besta na cara e um arzinho de cansaço feliz. Não podemos equiparar as proezas sexuais inesquecíveis dignas de nota com aquele desempenho de quinta categoria que todo mundo infelizmente tem no histórico, num dia de menor inspiração.

Sabe o que acontece quando esse tipo de idéia passa a ser aceita como verdade irrefutável? Sexo vira obrigação. Recusar sexo e trocá-lo por outra coisa passa a ser mal visto, como se aquele cara ruim de cama saísse sempre na pole position se entrasse numa disputa contra um bom livro e uma noite de oito horas de sono.

eu prefiro jogar gamão 

Por isso, este blog lança a campanha PREFIRO JOGAR GAMÃO pela recusa de sexo ruim, sem que os envolvidos se sintam culpados ou coagidos. Para que todo mundo possa dizer ‘não, obrigado’ àquela pessoa com quem não se tem graaande química sexual. E também para que nos dias de cansaço a gente possa trocar o sexo por outra coisa - qualquer coisa! - sem sentir a culpa pesando na consciência. Afinal, sexo é ótimo, mas quando feito com boa vontade e inspiração. De ambas as partes!

Assim, se não foi bom para você, moça ou rapaz, pare tudo e vá jogar gamão.

Prezado fulano, segue arquivo anexo conforme solicitação via contel

Um dia, uma dessas empresas fajutas de recolocação profissional criou o termo ‘proatividade’ e meteu no currículo de alguém. Mas o que significa essa porra?, perguntavam as pessoas mentalmente sãs. Seilá, mas achei bonito, respondia o herege. E por algum motivo que está muito além da minha compreensão, essa merda de palavra pegou. Não há currículo, palestra de auto-ajuda, gincana vagabunda de integração de empresa em feriado religioso que não use em quantidades industriais a tal da ’proatividade’. Se você tem a sorte de nunca ter ouvido a referida expressão, não se sinta ignorante; além de salas de RH e palestras motivacionais, em nenhum outro local do universo ela é utilizada. Para falar a verdade, teimo em acreditar que sequer exista.

No quesito palavras esdrúxulas e expressões singulares, o tal mundo corporativo é recheado delas - imagino que Scott Adams, criador do personagem Dilbert, concordaria comigo. Confesso que nas minhas primeiras semanas de recém-contratada na empresa fiquei perdida em meio a tantos termos obscuros ou que tinham um significado totalmente distinto para mim. Entenda: eu tinha acabado um curso de Ciências Biológicas, estava acostumada a falar de blástulas, mosaicos gênicos, habitat, corpo caloso e MAP-quinases. Na minha vida anterior, ‘feedback negativo’, por exemplo, tinha um sentido químico-fisiológico, completamente diferente desse utilizado aqui no escritório.

Mas há dezenas de outras. ‘Coaching’ e ‘Customer manager’ são as mais descoladinhas, para aquele povinho que adora um curso de desenvolvimento pessoal e que mantém livros do naipe de Os Segredos da Mente Milionária como guia prático e Pai Rico, Pai Pobre como guia espiritual. ‘Empreendedorismo’ participava do Desfile das Campeãs durante toda uma década; hoje, caiu para o grupo de acesso e sua popularização é tanta que 17 em cada 10 currículos para atendente do McDonald’s traz um ‘espírito empreendedor’ lá no ‘Habilidades e Competências’. A old school ’comprometimento’, entretanto, ainda parece ter vida longa, apesar de já estar gastinha.

O famoso verbo ‘gerir’ e seus correlatos (’gestão’, ‘gerência’, ‘gerenciamento’) são eternos, mas passam a impressão de prolixidade. Sabe? Quando você pode contar algo de maneira simples mas fica enfeitando a conversa. Assim, com monstruosidades como ’gerenciamento de crises’, ’gerenciamento de recursos’, ‘gerenciamento de projetos’ e ‘gerenciamento de tempo’ (!!), a moça que trabalha lá em casa uma vez por semana talvez já tenha virado ‘gerente de sabão em pó’ e agora seja responsável pelo ’gerenciamento de higienização doméstica’.

Que falta faz um Guimarães Rosa no mundo corporativo.

Difícil.

Estou prestes a ficar resfriada. Minha garganta dói, meu nariz está estranho e tenho uma ligeira dor no ouvido - justo o direito, que sempre me incomoda MAIS.

Além disso, minha língua estranhou o piercing (depois de três anos de convivência harmônica!) e hoje amanheceu inflamada. Tem uma bolinha dolorida no centro de onde foi feita a perfuração, eras atrás.

Meu cabelo está horrível. Não sei se corto ou se mantenho esse comprimento angustiantemente longo.

Minha pele está péssima. Tive que mudar de anticoncepcional e parece que ela ainda não sentiu seus efeitos benéficos. Cadê a porra do equilíbrio hormonal para melhorar a minha pele, hein?

Estou gorda. E flácida. E sem cintura. Enfim, um desastre completo.

E não, eu NÃO estou na TPM.

Obrigada pela compreensão.

De um dos meus pré-conceitos

Eu tinha horror a música cantada em espanhol. Não sei se por ter ouvido Shakira demais na pré-aborrescência ou talvez por aquele sotaque Julio Iglesias me lembrar um Wando ibérico; a verdade é que não sei quando nem com se desenvolveu minha birra. Mas era começar os ‘yo’ e os ‘tu’ para que as comportas das minhas reclamações fossem abertas e eu derramasse os piores impropérios contra o idioma de Evita. Aliás, aquela porcaria de filme com a Madonna mandando a Argentina não chorar por ela sempre teve lugar cativo no meu top 10 topada de dedinho do cinema mundial.

Daí que no ano passado estive por várias vezes em países da América Latina e até peguei uma ou duas baladinhas durante as viagens. Estava tudo indo bem até minha última passagem pelo México. Era um estabelecimento no esquema bar com música ao vivo, aquele tipo de lugar insuportavelmente chato e cafona em qualquer lugar do mundo, mesmo se na Europa Oriental e com sotaque croata. Gente, eu não gosto de bar com música ao vivo nem no Brasil (talvez especialmente no Brasil), mas essa balada mexicana em particular estava terrivelmente bizarra. A banda era medonha e o som estava descompensado nos agudos; assim, qualquer ‘tí’ e ‘mí’ ficava dez vezes mais insuportável. O ritmo geral misturava um mambo com rumba com samba e mais algum desses outros tipos latinos de música. E ninguém do grupo com quem estava entendia minha desanimação. Para dar uma idéia do absurdo da coisa, tome aquela novelinha estúpida Kubanakan e junte com alguma produção venezuelana de quinta categoria. Acrescente três acordes fajutos de RBD e uma estrofe do Ricky Martin. Pronto: você terá uma noção geral de como foi a minha noite.

Foi nessa viagem que percebi a força do tal do reggaetown nos países latinos. Antes de chegar ao México tinha estado na Bolívia e coincidentemente um grupo chama Calle 13 faria um show em La Paz por aqueles dias. A comoção geral foi como a da passagem do U2 pelo Brasil: gente dormindo nas filas, tiozinhos se matando por ingresso, montes e montes de reportagens imbecis e uma popularidade muito maior do que na visita do papa nazista alemão. Enfim, uma muvuca sem tamanho para um grupinho bem vagabundo – e essa afirmação vale tanto para o Calle 13 quanto para o U2. Quem se der ao trabalho de procurar por umas músicas na internet vai concordar comigo.

Mas foi no México que percebi como o reggaetown faz sucesso entre os nossos hermanos hablantes del idioma de Cervantes. Gente, assim como aqui tem balada só de hip hop e as meninas se descaderam rebolando até o chão as músicas black, lá o mesmo ocorre com o reggaetown. Que é mais ou menos um funk com hip hop com pop só que cantado em espanhol. A musiquinha mais cachorra era El teléfono, cujo o refrão fala sobre a saída que o cara arranjou para pegar a garota sem que os pais dela interferam:

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Coisa fina, né não? Pois amostras como essa só vinham para reforçar meu horror absoluto a músicas em espanhol. Daí que ontem estava pulando de blog em blog, atualizando minhas leituras depois de tanto tempo longe da internet, quando me deparei com um cantor argentino chamado Jorge Drexler.

Quem acompanha as premiações do Oscar vai se lembrar dele como o ganhador da estatueta em 2005 pela canção Al otro lado del rio – que foi desgraçadamente interpretada pelo Antonio Banderas na ocasião da festa.

E para minha satisfação, o cara é sensacional. De uma sensibilidade e delicadeza impressionantes. Minhas duas prediletas, até o momento, são Antes e Fusión:

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Mas ele tem várias outras, inclusive uma fofa com meu nome, Raquel. Para quem tem sérios pré-conceitos com a música dos hermanos, sugiro ouvir um pouquinho do Drexler antes de espalhar aos quatro ventos que as únicas coisas boas que a Argentina produz são os vinhos e as carnes.

Até porque o futebol dos caras também é um espetáculo.

update: de acordo com a Senhorita Rosa, Jorge Drexler é uruguaio, e não argentino. Hehe. Obrigada, querida!