Eu sempre fui super impressionável; quando era pequena não podia nem passar na frente da prateleira de filmes de terror na locadora que já sentia as mãos frias e o coração acelerado. Os títulos, as capas, era tudo MUITO apavorante. Eu passava por eles meio que olhando para o chão, para os lados, tentando não prestar atenção naquilo tudo. Meu medo quase fóbico tinha uns toques masoquistas, também: eu acabava lendo a sinopse no verso de uma ou outra capa realmente tétrica. E ficava com aquilo na cabeça por vários dias. Na real, não sei porque fazia isso. Era tipo uma curiosidade mórbida, bizarra. Da porra do ‘Hellraiser’, por exemplo, com sua cara cheia de alfinetes medonhos, nunca consegui me livrar totalmente e ainda fico meio arrepiada quando lembro da imagem. E eu NUNCA o assisti, é claro.
O problema é que essa condição não mudou com o tempo: até hoje eu fujo de filmes com capetas, cabeças cortadas, sessões de tortura, possessões malévolas, fumaças estranhas, vampiros, bruxas, zumbis, seres do limbo, gosmas e etcéteras. Chega a ser engraçado me acompanhar durante cenas com um pouquinhos mais de suspense. Invariavelmente eu me escondo atrás de uma almofada ou blusa de frio e, nos momentos escabrosos MESMO, chego ao cúmulo de tapar os ouvidos, no melhor estilo ‘não vejo, não ouço, não estou aqui’. Olha que mico. Eu tenho 25 anos, porra! Quando é que isso vai passar?
Lembro de quando vi ‘A Bruxa de Blair’ no cinema, com toda aquela atmosfera de documentário que criaram para a porra do filme. Tive que sair da sala e tomar água, dar uma passeada pelo cinema, me acalmar. E depois ainda fiquei umas quatro noites sem dormir direito. Mas sabe o que é pior? Eu NÃO aprendo.
Anos depois, lá vou eu no cinema assistir, por livre e espontânea vontade, ‘O Exorcismo de Emily Rose’. Caralhoputaquepariu. É a típica historiazinha de possessão, com demônios, padres e coisas estranhas que acontecem e ninguém explica. Mas sabe o que fode com quaquer racionalidade que eu tente ter? Aquela sentença que o cinema adoouura: ‘baseado em fatos reais’. ‘Baseado em fatos reais’ FODE com a minha imaginação. Porque aí eu não posso me agarrar ao mantra dos medrosos em filmes de terror - isso não existe, isso não existe. Porque EXISTE, sacou? E a minha criatividade masoquista vai looonge, looooonge… e a insônia de tensão vi batendo recordes sucessivos.
Por isso, por favor, não me convidem para filminhos tétricos, mesmo dos mais leves. Nem para aqueles de suspense sagüinolentos com gente despedaçada. Na verdade, só me chamem para desenhos animados com finais felizes, tipo ‘A Pequena Sereia’. Que, aliás, dentre os da Disney é o meu predileto
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