Monthly Archive for Março, 2008

Juno é uma merda, malandro

Daí que ontem assisti ao sucesso de crítica Juno. E achei uma droga, como já era de se esperar. Esses filmes muito comentados que todo mundo adora geralmente me causam um efeito adverso. E eu juro que não é pre-conceito, não! Costumo começar o filme já gostando dele, de tanto ler e ouvir todo mundo dizendo que é ótimo, que é fofo, que a trilha sonora é sensacional, e bla bla bla. Tipo, dou o play junto com um gol de vantagem para o filme. Que, em raras exceções, perde de goleada - fora o baile.

Com Juno foi assim. Achei a personagem principal meio sonsa, meio sem arte dramática. Meio sem carisma, talvez. O que falta de expressão corporal a ela sobra em modulações da voz. A voz da guria oscila mais que rádio pirata de comunidade do Rio! Além isso, alguém disse a ela que grávidas nos últimos meses de gravidez andam de maneira tipicamente grávida. A atriz fez disso um estereótipo e a sensação que se tem ao vê-la caminhando é que a cabeça do nenê já está saindo pelo meio das pernas dela. DURANTE.TODO.O.FILME. Bizarro, cara.

A trilha sonora é ridícula. Parece soundtrack de filme infantil alternativo. Ou não, porque num filme infantil alternativo a Björk teria composto as músicas e eu gosto da Björk, ela é bem legal. E em Juno a trilha é qualquer coisa menos legal.

Não consigo nem traçar um enredo paralelo que não seja ‘garota de 16 anos fica grávida do amigo e decide dar o bebê para um casal que deseja adotar’. Fim. Aaaargh!

Só vou apontar algumas cenas que me chamaram a atenção para que os entusiastas de Juno não me crucifiquem:

- os pais dela são realmente práticos. Eu gosto de pessoas práticas, eu os invejo e admiro. Um dia vou ser uma pessoa prática. E toda a graça da vida vai desaparecer, obviamente. E ninguém mais vai ler esse blog.

- o lance da cadeira. Aquela bendita cadeira acaba acompanhando o filme do início ao fim. Costumo gostar desse tipo de marcador de enredo e temporal. O lance da cadeira foi legal.

- a cena da Jennifer Garner segurando o bebê no colo com a mãe da Juno observando do batente da porta. Achei lindo e até chorei. Viu como não sou tão insensível?

Agora me contem. Vocês viram Juno? O que acharam? Há outros filmes que todo mundo amou menos vocês?

Porque, olha, vou falar uma coisa… esse Juno deve ser pra gente mil vezes mais evoluída espiritualmente que eu. Ou para adolescentes estúpidas. Ou ambos.

update: olha aí a comprovação.

.rachel diz:
vi Juno ontem.

Jåµë§ ßønd diz:
-= Eu gostei…

Jåµë§ ßønd diz:
-= Inclusive baixei a trilha sonora.

.rachel diz:
puta merda.

.rachel diz:
EU SOU A ÚNICA PESSOA NA GALÁXIA QUE NÃO GOSTEI DE JUNO?

Cara, vou ter que assistir ao filme de novo, não é possível.

Sunday, baby

Domingo é dia para acordar tarde, mas não a ponto de perder o sol. De almoçar coisas gostosas, seja na casa da vó ou na barraquinha da feira. Dia de andar de mãos dadas, a esmo, aproveitando o ventinho e o calor. Domingo é dia de picolé de fruta, chinelo de dedo, saia de pano. Domingo é dia para levar as crianças à praça, mesmo que as crianças não sejam suas. Mesmo que elas não sejam mais crianças. É dia de passear com o cachorro. Dia de balançar na rede, preguiçosamente. De andar na praia e molhar a barra da calça. De ler um livro na calçada.

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Bom domingo para vocês.

De um tudo

Meninos, este é um post feito para as GAROTAS que lêem o blog. Comentários sobre a nossa já-mais-que-universalmente-conhecida futilidade serão apagados e o comentarista sofrerá as terríveis conseqüências de pragas e mandingas rogadas. Portanto, vão ali reclamar, coçar o saco, falar da bolsa de valores e da aposentadoria do Romário e voltem depois, por favor. Obrigada.

Minha bolsa nova estava pesando meia tonelada, mais ou menos. É como se um filhote de elefante tivesse adquirido o tamanho de uma bolsa nova e ficasse pendurado no meu ombro. Juropordeos. Isso ia acabar piorando a situação da minha coluna, que já não é das melhores: além de lordose (o famoso ‘bumbum arrebitado’), a escoliose faz da minha espinha um S digno das melhores provas da Fórmula 1. É bizarro, um desalinhamento total. E eu largo minha bolsa nova? Mainemmóóóóórrta, como dizem no Te dou um dado?.

Não sei se vocês perceberam, mas eu comprei uma bolsa. Nova. Grande. E liiiiinda, estou totalmente apaixonada. Enfim. O problema é que com mais espaço, arranjei mais coisas para carregar, óbvio. Acabei achando que poderia ir jogando tudo lá dentro e o resultado foi uma bolsa mega master pesada e totalmente desarrumada.

Na bolsa anterior, havia montes de divisões e compartimentos nos quais espalhei minhas coisinhas. Chicletes aqui, documentos ali, presilhinhas de cabelo acolá. Nessa nova, não. Há apenas uma divisão, onde enfiei todos os montes de documentos e papéis e cartões e quinquilharias celulósicas que andam comigo. Além de correr o risco de algumas embalagens se abrirem e melecarem todo o interior da bolsa, ainda levava um tempão procurando aquele papelzinho onde anotei o número do conta da Sô, putz. Nesta semana consegui arrumar tudo e montei uma necessaire com os produtinhos diários ABSOLUTAMENTE imprescindíveis. Quase chorando, reduzi o conteúdo a 11 itens sem os quais não vivo e que recomendo a todas as garotas com bolsas grandes por ae:

1 - sabonete facial, que quebra um puta galho na batalha contra a oleosidade e o calor. O sabonete em mousse Tododia, da Natura, é muito bom, pequenininho e prático.

2 - água termal, para aplicar no rosto depois de lavar, suaviza e tonifica a pele. Uso da La Roche Posay em spray, é excelente. 

3 - vidrinho mini de colônia ou água-de-colônia, é garantia de cheirinho bom o dia todo. O CK One, da Calvin Klein, é super suave e existe em embalagem pequena.

4 - kit básico para unhas, com lixa e alicate.

5 - hidratante para as mãos. Quem vive no ar condicionado sabe que é horrível ficar com as mãos ressecadas. Recomendo com todas as estrelas o hidratante com polpa de castanha da Natura, o melhor que já experimentei.

6 - Gloss, claro! Sou apaixonada pelo Ultra Gloss Reflect da Dior. A embalagem é linda e os pigmentos brilhantes deixam a boca rosinha por muuuuito tempo.

7 - Base ou corretivo, para desaparecer com aqueles sinaizinhos chatos que insistem em surgir no rosto. Uso a base neutra fluida de O Boticário.

8 - Embalagem com 100 ml de soro fisiológico. Meus olhos e minhas lentes de contato agradecem!

9 - Porta-absorventes, para os dias mais tensos do mês.

10 - mini escova de dentes e mini pasta dental. Lógico, né.

11 - remedinhos para socorro rápido: contra cólica, dor de cabeça e de estômago, antiinflamatório e anti-gripal.

Agora minha bolsa nova grande está bem mais transitável, leve e ficou fácil de encontrar tudo dentro dela. Contém somente coisinhas muito importantes para quem passa o dia todo fora de casa.

Eu prefiro jogar gamão!

Algum homem imbecil um dia disse que sexo é igual pizza: até quando é ruim, é bom. Há outras analogias igualmente idiotas, como com o chocolate – mesmo o meio-amargo é gostoso. Porém, meu problema não é com o estilo pára-choque de caminhão mega cafona das comparações e sim com a idéia ABSURDA que vem embutida nessas frasesinhas de mal gosto exemplar.

Não sei quando esse mito se disfarçou de verdade. Entretanto, por mais venerado que tenha se tornado hoje, o sexo continua sendo uma atividade passível de classificação. Distingüir o que é ótimo do que é imprestável é parte da natureza humana e fazemos esse tipo de separação todo o tempo. Ou vai dizer que tu não sabe diferenciar aqueles arfadinhos tímidos dos gemidos acorda-quarteirão que sua namorada emite quando numa performance realmente esforçada?

Sexo ruim é enfadonho e desgastante, como qualquer balada ruim, livro ruim, emprego ruim. Tem-se a sensação de perda de tempo e energia em algo que não traz a satisfação esperada.  

Aquela rapidinha meia-boca, sem muita química e tempero, é aceitável mas não pode se tornar padrão. Muito menos alto-padrão. E pior ainda ser apontada como ‘boa’, só por se tratar de sexo. A gente sabe que sexo BOM de verdade é feito daquela matéria especial que combina pele, cheiro, toque, calor e muita vontade. Melhora a pele, deixa um sorriso besta na cara e um arzinho de cansaço feliz. Não podemos equiparar as proezas sexuais inesquecíveis dignas de nota com aquele desempenho de quinta categoria que todo mundo infelizmente tem no histórico, num dia de menor inspiração.

Sabe o que acontece quando esse tipo de idéia passa a ser aceita como verdade irrefutável? Sexo vira obrigação. Recusar sexo e trocá-lo por outra coisa passa a ser mal visto, como se aquele cara ruim de cama saísse sempre na pole position se entrasse numa disputa contra um bom livro e uma noite de oito horas de sono.

eu prefiro jogar gamão 

Por isso, este blog lança a campanha PREFIRO JOGAR GAMÃO pela recusa de sexo ruim, sem que os envolvidos se sintam culpados ou coagidos. Para que todo mundo possa dizer ‘não, obrigado’ àquela pessoa com quem não se tem graaande química sexual. E também para que nos dias de cansaço a gente possa trocar o sexo por outra coisa - qualquer coisa! - sem sentir a culpa pesando na consciência. Afinal, sexo é ótimo, mas quando feito com boa vontade e inspiração. De ambas as partes!

Assim, se não foi bom para você, moça ou rapaz, pare tudo e vá jogar gamão.

Notícias que mudarão a sua vida

Ontem o blog recebeu o comentário de número 666, mundialmente conhecido por ser o Número da Besta. Aproveitei a deixa e no Twitter  dei follow em ‘Satan’, me tornando uma ’seguidora do demo’ oficial. Hehe. A coisa tá ficando bem anti-cristo por aqui, esperem novidades nada evangélicas no futuro devils smile

O comentário diabólico foi feito no post sobre termos corporativos que já encheram o saco e veio do ‘Anonimo Covarde’:

Anonimo Covarde | anonimo@covarde.com |

É um tal de gestão pra cá, proatividade pra lá. Utilizaram um monte de expressões em inglês para palavras que já existiam em português (proatividade não é o mesmo que iniciativa? coaching não seria “orientação”? e por aí vai) para uma pretensa homogeneização dos conceitos, que nunca ocorre.
E o pior é que isso pegou onde não tem nada a ver: em medicina. Na falta do que fazer, colocaram gestores na área médica e agora nós somos obrigados a ouvir estes termos rotineiramente, subornando todos com programas de participação em lucros (PLR).
O anônimo covarde é por que não quero ser identificado por algum proativo da minha empresa.

Ainda esta semana, numa madrugada, tive a puuuuta sorte de flagrar o blog com exatas 32.000 visitas. Fiquei tão emocionada que dei um print screen e salvei para a posteridade. Vê se não é de chorar de emoção:

32-mil-3.jpg

Quase 6 meses e, neste momento, chegando aos 33 mil. Bonito, bonito. Continuem assim, estrupícios. 

Prezado fulano, segue arquivo anexo conforme solicitação via contel

Um dia, uma dessas empresas fajutas de recolocação profissional criou o termo ‘proatividade’ e meteu no currículo de alguém. Mas o que significa essa porra?, perguntavam as pessoas mentalmente sãs. Seilá, mas achei bonito, respondia o herege. E por algum motivo que está muito além da minha compreensão, essa merda de palavra pegou. Não há currículo, palestra de auto-ajuda, gincana vagabunda de integração de empresa em feriado religioso que não use em quantidades industriais a tal da ’proatividade’. Se você tem a sorte de nunca ter ouvido a referida expressão, não se sinta ignorante; além de salas de RH e palestras motivacionais, em nenhum outro local do universo ela é utilizada. Para falar a verdade, teimo em acreditar que sequer exista.

No quesito palavras esdrúxulas e expressões singulares, o tal mundo corporativo é recheado delas - imagino que Scott Adams, criador do personagem Dilbert, concordaria comigo. Confesso que nas minhas primeiras semanas de recém-contratada na empresa fiquei perdida em meio a tantos termos obscuros ou que tinham um significado totalmente distinto para mim. Entenda: eu tinha acabado um curso de Ciências Biológicas, estava acostumada a falar de blástulas, mosaicos gênicos, habitat, corpo caloso e MAP-quinases. Na minha vida anterior, ‘feedback negativo’, por exemplo, tinha um sentido químico-fisiológico, completamente diferente desse utilizado aqui no escritório.

Mas há dezenas de outras. ‘Coaching’ e ‘Customer manager’ são as mais descoladinhas, para aquele povinho que adora um curso de desenvolvimento pessoal e que mantém livros do naipe de Os Segredos da Mente Milionária como guia prático e Pai Rico, Pai Pobre como guia espiritual. ‘Empreendedorismo’ participava do Desfile das Campeãs durante toda uma década; hoje, caiu para o grupo de acesso e sua popularização é tanta que 17 em cada 10 currículos para atendente do McDonald’s traz um ‘espírito empreendedor’ lá no ‘Habilidades e Competências’. A old school ’comprometimento’, entretanto, ainda parece ter vida longa, apesar de já estar gastinha.

O famoso verbo ‘gerir’ e seus correlatos (’gestão’, ‘gerência’, ‘gerenciamento’) são eternos, mas passam a impressão de prolixidade. Sabe? Quando você pode contar algo de maneira simples mas fica enfeitando a conversa. Assim, com monstruosidades como ’gerenciamento de crises’, ’gerenciamento de recursos’, ‘gerenciamento de projetos’ e ‘gerenciamento de tempo’ (!!), a moça que trabalha lá em casa uma vez por semana talvez já tenha virado ‘gerente de sabão em pó’ e agora seja responsável pelo ’gerenciamento de higienização doméstica’.

Que falta faz um Guimarães Rosa no mundo corporativo.

Difícil.

Estou prestes a ficar resfriada. Minha garganta dói, meu nariz está estranho e tenho uma ligeira dor no ouvido - justo o direito, que sempre me incomoda MAIS.

Além disso, minha língua estranhou o piercing (depois de três anos de convivência harmônica!) e hoje amanheceu inflamada. Tem uma bolinha dolorida no centro de onde foi feita a perfuração, eras atrás.

Meu cabelo está horrível. Não sei se corto ou se mantenho esse comprimento angustiantemente longo.

Minha pele está péssima. Tive que mudar de anticoncepcional e parece que ela ainda não sentiu seus efeitos benéficos. Cadê a porra do equilíbrio hormonal para melhorar a minha pele, hein?

Estou gorda. E flácida. E sem cintura. Enfim, um desastre completo.

E não, eu NÃO estou na TPM.

Obrigada pela compreensão.

Da sabedoria que advém com a idade ou Do período pré-Viagra

“ela tinha me dito que era ninfo mas eu não acreditara. depois do terceiro ou quarto round comecei a acreditar. percebi que estava com problemas. todo homem acredita que pode domar uma ninfo mas isso só tem como resultado a sepultura - a do homem.”

Charles Bukowski, Notas de um Velho Safado

Dos comentários idiotas no youtube

202

Curtiu? Tem mais um monte de piadas com homens-palitinho em http://xkcd.com/

A adorável sincronia do sono

Não estar namorando tem dezenas de vantagens que, a meu ver, são incríveis. Nem vou citar as clichês ‘independência’ e ‘liberdade’, mas só o fato de NÃO ter que participar de almoços de família na casa de famílias alheias já é uma PUTA vantagem, né não? Ou aquela briga para decidir que filme ver no cinema, ou em qual restaurante jantar, ou whatever. Enfim, não sou grande entusiasta dos relacionamentos tradicionais e sérios.

Mas às vezes me dá uma saudadinha manhosa da época de committed (committed real, não só de orkut). Em feriadinhos como esse, o melhor programa do mundo era encher a casa de comidas de criança e outras coisas gostosas, locar 800 DVDs e passar os dias inteeeeiros na cama, vendo filmes, ouvindo música, namorando, ficando ’de preguiça’, pegando o cheiro do lençol e deixando o lençol com o seu cheiro. No domingo à noite dava até tristeza ter que voltar à vida real e saber que a semana estava começando, de novo. Porém, ao menos tínhamos matado as saudades, recarregado as baterias, dormido e comido muito. E namorado até achar que o peito vai rebentar de… de… afeto.

Ai-que-delícia…

Há coisa de dois anos achei esse poeminha pela internet. É o que melhor traduz esse sincronismo que alguns casais têm a sorte de repartir, depois de algumas noites de sono e de sexo muito bem aproveitadas.

TODA NOITE
João Paulo Cuenca

Dormimos com braços e pernas
entrelaçados como tentáculos,
enredados em estranhas combinações ,
coordenadas por regras específicas,
previamente ensaiadas para
apoiar a cabeça no mesmo travesseiro,
compartilhando sonhos
e reminiscências noturnas
(um invadindo as lembranças alheias,
reescrevendo o passado que não viveu),
ou deitar a bochecha contra o tronco do outro,
ou mudar a posição dos corpos no meio da noite:
quando eu estiver com a mão dormente,
e sentir necessidade de virar para o outro lado,
um movimento sutil descolando
o meu braço
da sua nuca
irá disparar uma série de passos complexos
e nós,
em poucos segundos,
voltaremos a nos abraçar,
agora em posição oposta:
o seu braço sobre o seu peito,
a sua perna abaixo da minha perna,
meu joelho apoiado na sua coxa,
as mãos dadas em encaixes geométricos,
seu nariz tocando um ponto específico da minha nuca,
soprando um ar de segredos na minha pele,
sibilando uma música diferente a cada noite,
e a cada noite o seu corpo seria
como uma cidade diferente,
de esquinas, labirintos
e línguas estranhamente familiares,
que eu percorreria com sabor de despedida e assombro,
sabendo que seria a última vez,
me esforçando sem sucesso para não
me apegar às suas ruelas e canais retorcidos,
jardins coloridos
e iluminados cafés.

E bom feriado para vocês ;)