Monthly Archive for Fevereiro, 2008

Série ‘Hoje o dia é meu’ - parte 4

Não, hoje o dia ainda não é meu… mas tá chegando! Não entendeu nada? As partes um, dois e três estão aqui, aqui e aqui também. Não esqueça de me dar ’parabéns’!

Meus pais estava casados havia apenas 7 meses quando minha mãe reparou num atraso anormal em sua menstruação regularíssima. Era eu, um amontoadinho de células iguaizinhas, já fazendo festa no útero dela e surpreendendo todo mundo. 

Quando o exame deu positivo - não sei a que altura da gestação ela resolveu testar - minha mãe colou um calendário na porta do banheiro, para acompanhar as semanas de gravidez. Escreveu um ’Rachel’ num canto do mês de março de 83, seguido de um ponto de interrogação, e a partir daquele dia passou a chamar o feto por esse nome. Sem nem saber o sexo da criança, já que os ultrassons da época não eram esse avanço que são hoje, que dá para antever até a feiçãozinha do petiz. Não, não. Mal e mal dava para saber que o nariz estava no lugar certo: já que as orelhas vêm em pares, a posição do nariz era mera suposição. Eu poderia ter nascido um moleque, e ela teria me chamado por 9 meses por um nome de garota.

Meu pai repete até hoje o chavão de que não esperava nem menino, nem menina, ‘apenas que fosse saudável’. Já minha mãe nunca fez cerimônia e desde que me conheço por gente ouço que uma filha com esse nome é materialização de todos os sonhos maternos dela. É uma baita responsabilidade, viu, carregar o peso de tanta esperança desde criança.

Se não fosse Rachel, seria… Rachel. Não havia alternativa, minha mãe não permitia. Se fosse menino, talvez chamasse Caio Plínio, a combinação mais escabrosa que já vi com ambos os nomes. Ainda bem que os gametas se juntaram certinho e hoje sou uma orgulhosa XX, escapando da sina de me chamar Caio Plínio, aargh.

A gravidez foi tranqüila. Mamãe engordou apenas 10 kgs e não teve os habituais enjôos. Já estava com 27 anos - nasci no ano em que ela completava 28 e meu pai, 34 -, emprego estável, carro próprio e essas coisas. A casa própria chegaria junto com meu primeiro aniversário, tudo estava indo bem. Naquele roteiro idílico de ‘casar e contituir família’, minha chegada não-programada era o segundo item importante do caminho. Eles levariam mais quatro anos e meio de aventuras parentais para o nascimento planejado da minha irmã.

Lá pelo início de março, o casal foi à última consulta com o obstetra. Uma alegria: estava tudo ótimo com o bebê, a cesariana poderia ser realizada na semana seguinte sem nenhum problema. Meus pais saíram do consultório direto para um bar, para comemorar as boas notícias. Voltaram para onde moravam na época, distante 40km da cidade onde nasci, já pela madrugada, cansadíssimos. Quando chegaram em casa, minha mãe começou a sentir as contrações. Meu pai dormia, desmaiado. Ela esperou, bravamente, até a manhã daquele dia, para que papai tivesse tempo de descansar um pouquinho. Só então ligaram para o obstetra e voltaram para o hospital.

Fico imaginando o que pensou minha mãe enquanto caminhava sozinha pela casa, de madrugada, com o primeiro filho querendo lhe rebentar o ventre. Fazia planos, imaginava meu rosto? Preocupava-se com a minha saúde ou com meu futuro? Pensava, talvez, em meu pai, que dormia, ignorando tudo que se passava a sua volta? Ou, na verdade, refletia sobre si própria, sua condição de mulher e, a partir daquele dia, de mãe? Ela era pouco mais velha que sou hoje e não consigo imaginar a qualidade dos pensamentos que a tomaram, então.

Arrisco dizer que ela pensou em tudo. Junto e misturado e embolado. E das dúvidas que teve naquela época, é possível que agora só saiba as respostas. 

Je ne parle pas Français

Publicado em 2007 no falecido Fifty-Fifty. Eu sei, eu sei, mais uma reedição. Me desculpem, mas o bicho tá pegando aqui no trampo. Juropordeos que volto com novos textos assim que essa maré passar.

Estou estudando francês. Comecei há coisa de 2 meses e na primeira aula não conseguia parar de rir. A professora só falou em francês e, além de eu não entender nada, ainda achei graça de ouvir alguém falando daquela maneira todo o tempo. Fazendo biquinhos. Transformando tudo em oxítona. Era como estar em um filme do Telecine Cult.

A graça deu lugar ao desespero nas semanas seguintes. Tinha me esquecido o quão difícil é iniciar o estudo de algum idioma quando não se sabe absolutamente nada dele. O espanhol nos parece intuitivo, dada a semelhança com o português. Quanto ao inglês, já não sei dizer. Minhas primeiras palavras foram arranhadas aos 6 anos e, desde então, nunca mais foi abandonado. Aprendi por insistência e persistência. E agora, aventuro-me pelo francês. Bizarramente, diga-se de passagem. Falta-me vocabulário, as frases são infantis; a pronúncia, esdrúxula. Tento, repito, percebo as diferenças na entonação, mas não consigo reproduzi-las. Os outros três idiomas contaminam minhas parcas noções iniciais, e acabo tranformando tudo num porco “espangliçais”. Esforço-me para aprender as conjugações de cada verbo em cada pessoa - e ainda estamos no present du indicatif! Percebo que o caminho será longo e árduo e desanimo.

A professora insiste. Ela tem mais fé que nós, os alunos. Marion é a típica francesa: magra e pequena, a famosa constituição mignon, montes de cabelos escuros cacheados, pele muito branca e olhos muito azuis. Encantou-se por Florianópolis. Fala “eu escribo muito maaall” querendo dizer que tem a letra feia. Imagino constantemente como parece o Brasil para quem sempre morou na Europa.
Escolhi minhas palavras prediletas, até o momento. Aujourd’hui é fantástica. A expressãozinha J’ecouté, sublime. Mas memória fica desequilibrada, esqueço agora o que ouvi há alguns minutos. Confundo “amarelo” e “jovem”. Descubro que há 3 maneiras gramaticalmente semelhantes de se fazer as mesmas perguntas. Atrapalho-me com os hífens, os apóstrofos, os acentos todos. “Qu’est-ce que c’est?” - tive que procurar (novamente) no livro para escrever aqui, um simples “o que e isso?”

Patience et persévérance.

Homens…!

Alguns ainda me surpreendem.

 .racHELL diz:
teu nick complementar, ‘come to bed’. triste isso.
vaeiou diz:
vc imagina da onde eu tirei isso?
.racHELL diz:
e eu sei lá? mas parece filme triste.
.racHELL diz:
ok, ok. conte-me. de onde vc tirou?
vaeiou diz:
em um dos episódios do seriado sex and the city, elas foram em um bar q se chamava Bed e o slogan era `come to bed`… e o pessoal ficava em cima delas e tal
.racHELL diz:
AHAHAHAHAHAHAHAHA
.racHELL diz:
vc gosta de sex and the city?
vaeiou diz:
eu assisti todos os ep
vaeiou diz:
eu divido minha vida em antes e depois de satc
.racHELL diz:
CE JURA?!
vaeiou diz:
opa
.racHELL diz:
tenho um amigo q fala q é seriado de mulher e q nenhum cara hetero consegue ver sem cair no sono dps de 4 min
vaeiou diz:
assisti a série toda… logo depois de um fim de namoro…. e tal…
vaeiou diz:
estava indo na academia… malhando…
vaeiou diz:
acupuntura…
.racHELL diz:
AHAHAHAHAHHAHA
.racHELL diz:
fim de namoro é foda.
vaeiou diz:
tava com a piroca maluca…
.racHELL diz:
ahahahahahahaha
vaeiou diz:
o seriado é fino pq mostra as mina bonita com uns homens feios..
vaeiou diz:
nao q eu seja feio, mas…
vaeiou diz:
mostra os feiao xavencando e levando as gata…
vaeiou diz:
haha… entrei na onda e fui…
.racHELL diz:
o importante é a atitude, believe me.
.racHELL diz:
é mentira, não é O importante. mas tem alguma importância. pequena, bem pequena.
vaeiou diz:
claaaaaaro
.racHELL diz:
AHAHAHAHAHAHHAHAHAHAHA

* o Veio tá aqui.

Manual do Assaltado

Depois de minhas variadas experiências em ser assaltada - entre tentativas e ações efetivadas com sucesso fui alvo de meliantes em 5 ocasiões - e das agradáveis situações vividas por terceiros e a mim narradas, resolvi criar o Manual do Assaltado. Sim, porque não basta entregar sua carteira ao marginal armado com canivetes e estiletes: suas habilidades como vítima do crime tem que ser desenvolvidas ao máximo e suas falhas devem ser corrigidas. Não queira ser apenas outro idiota que paga uma exorbitância de impostos e ainda assim morre de medo de sair de casa! Após a leitura atenta desde manual e da prática diária de suas sugestões de treino, você se tornará um VIP: Vítima Indefesa Profissional.

1 - Local

Diferentemente do que reza o senso comum, não é preciso que você esteja dando bobeira na Praça da Sé entre as 10 da noite e 6 da manhã para que um drogadinho filhodaputa resolva levar seu celular. Para se tornar um VIP, você deverá sacar a sutileza e o empreendedorismo do meliante que ataca em plena Praça da Catedral (ponto central dos ônibus) em Ribeirão Preto, no final do dia, com montes de trabalhadores voltando para suas respectivas casas. Sutil, porque não há viatura policial que proteja essa área nesse período do dia. Empreendedor, porque a maioria dos bandidinhos filhosdaputa fica com medinho (bando de viado) e não arrisca nenhuma ação. E também porque a proporção vítima em potencial/concorrência da bandidagem é altíssima e, portanto, muito lucrativa.

Você também pode ter seu tênis levado por um desgraçado de bicicleta em pleno Higienópolis, que nem armado está. E que só porque você é garota acha que pode lhe roubar sem nem estar armado. Humpf.

Sugestão de treino: dar mole em semáforo e perder a bolsa é coisa para assaltado iniciante. Você quer ser um VIP? Então compre um Rolex e faça um passeiozinho pelos Jardins. Ter o relógio que custa uma FÁBULA abatido nos Jardins por dois motoqueiros é, sim, coisa de VIP.

2 - Comportamento

Tornar-se um VIP requer alterações drásticas no seu portifólio de reações durante um assalto. Há dois modelos básicos de comportamente que você pode escolher conforme seu estilo pessoal ou situação do assalto:

a. Modelo histérico-feminino: no modelo histérico-feminino vale choro angustiado, pedidos desesperados como ‘por favor, não faça nada comigo’ e ‘não tenho dinheiro, esse celular é vagabundo’, incapacidade em sair do carro sem tropeçar e até desmaios. No pós-assalto, mais lágrimas, tremores convulsivos e boletim de ocorrência lavrado na delegacia mais próxima. O VIP deve, preferencialmente, estar acompanhado de pai, mãe, avó, cônjuge ou parceiro, cachorro poodle ou chihuahua latindo insistentemente no momento do registro do B.O.

Costuma trazer resultados violentos caso o meliante esteja armado.

b. Modelo racional-controlado: o modelo racional-controlado prevê um VIP de fala calma e movimento traquilos, vagarosos, que irritarão por completo o criminoso filho duma égua que conduzir a ação. O VIP normalmente costuma oferecer valores e objetos em troca da foto 3×4 da filhinha desdentada que ficou na carteira, dos documentos que estão no porta-luvas, do celular vagabundo mas com agenda de telefones irrecuperável. Nesse tipo de comportamento, o VIP exemplar nunca faz boletim de ocorrência e ainda perdôa o marginal, jogando a culpa no ’sistema’, que não garante ‘opções’ para uma vida ‘decente’ a ‘toda uma população marginalizada pela sociedade’.

Saiba que um VIP jamais, em hipótese nenhuma, nem mesmo se estiver com os treinamentos de boxe mais em dia que nunca, deve reagir violentamente. Muito menos socar o nariz do infeliz que ameaçou a posse dos seus tênis a caminho da academia e das aulas de boxe.

Sugestão de treino: assista à antiga novela das 8 ‘América’ e inspire-se na personagem de Deborah Secco, que passou o folhetim inteiro chorando de soluçar. Ou veja James Bond em ‘Casino Royale’ e adquira aqueles nervos de aço mesmo com uma automática apontada para a fuça. Pule as cenas dele imobilizando o cara que segundos atrás portava a automática.

3 - Valores

O bom VIP não desanima diante de um assalto; no dia seguinte ele compra um novo par de Nike Shox, ou outro celular Motorola último tipo, ou um relógio Tag Heuer para substituir o afanado. O verdadeiro VIP adquire outro reluzente item que atraia roubos mesmo enquanto paga as parcelas do anterior. Entretanto, o VIP de peso sabe que não são seus bens que asseguram o assalto futuro, e sim sua própria condição inerente de Vítima Indefesa Profissional.

Previsões para Cuba

Uma reediçãozinha, dada a atual conjuntura política. Esse texto já tinha sido postado no falecido Fifty-Fifty, da época da misteriosa gripe de Fidelito. Depois foi reeditado aqui, porque eu tava sem saco de escrever qualquer coisa. E agora vai de novo, pra quem ainda não tinha lido. E também porque estou novamente sem assunto, me desculpem. Amanhã retornamos a nossa programação normal. 

Possibilidades para o futuro de Cuba caso Fidel realmente bata as botas, claro. Ele é meio Highlander, então acho que só cortando a cabeça pra isso acontecer.

1 - Os EUA toma Cuba
E a transforma num balneário turístico. Ou numa reserva biológica. Ou numa ilha-presídio imensa, para onde envia seus piores encarcerados. Cerca com arames eletrificados e impõe torturas desumanas aos presos, como ouvir o novo CD dos Backstreetboys.
Ou cria um 235435º estado, tipo um Hawaii em águas atlânticas. Daí os mexicanos mudam a rota de fuga do deserto para o mar, e começam a chegar aos milhões (junto com mineiros de Governador Valadares).

2 - A Jamaica toma Cuba
Para assombro do resto do mundo, a terra de Bob, sempre vista como um lugar de paz e amor, aproveita a marcada das outras nações e invade a ilha. Cuba passa a ser a maior área contínua de cultivo de maconha, ópio e otras cositas más. Milhões de jovens (e outros nem tão jovens) se mudam imediatamente para o lugar, inclusive Fernando Gabeira. A ilha passa a sofrer com a alta densidade demográfica e a baixa produtividade econômica da população, que fica semanas a fio na maior larica, só no leite condensado. Acaba sendo invadida por hordas muçulmanas que vêem na ilha a encanação do demônio e é totalmente destruída.

3 - Bin Laden toma Cuba
E faz da ilha um quartel-general da Al-Qaeda debaixo das fuças do Tio Sam. Entretanto, o regime de treinamentos para combate e as orações diárias a Alá não duram muito, já que logo os homens-bomba descobrem as delícias das regiões tropicais, dos povos mestiços e dos biquínis. Afinal, ninguém jamais voltou do paraíso para garantir que as 70 virgens estão lá meeeiisssmo. Osama termina por se juntar a um grupo Hare Krishna e Cuba se transforma rapidamente numa versão árabe das comunidades hippies de 1960. As crianças são criadas pelos passarinhos e tudo ali é coletivo, até os maridos e as esposas são coletivos. Com medo de uma nova invasão socialista-comunista-hiponga, os EUA jogam uma bomba no lugar e destroem tudo de uma vez. Depois, assinam um tratado de não-agressão com o resto do mundo.

4 - A China toma Cuba
Com a contribuição de 1 dólar de cada chinês, o governo comunista arrecada bilhões e invade a ilha, transformando o lugar numa extensão do país da mão-de-obra mais barata da galáxia. Mudam à força 800 milhões de pessoas para lá, numa frustrada tentativa de reduzir (um pouquinho) a densidade demográfica da matriz. Na filial, os novos habitantes trabalham em fábricas de exportação de criança chinesas adotadas, que fazem maior sucesso e todos os casais modernos do resto do globo resolvem não mais ter filhos biológicos: simplesmente adotam um chinês. Essa nova moda extingue a raça dos poodles para sempre. As empresas são tão rentáveis que contratam mulheres parideiras, cuja única função na vida é gerar mais e mais crianças. Com suas idéias faraônicas, resolvem terminar de construir a Grande Muralha, ligando a China a Cuba. Decidem interromper as obras no meio do caminho, para investir o dinheiro na construção do primeiro foguete chinês tripulado, lá pelos idos de 2364, na 129837ª dinastia Ming.

5 - Os russos tomam Cuba
E muita vodca também.

6 - Os cubanos tomam Cuba
E a coisa dá super certo: acabam se tornando a primeira nação realmente socialista. Lênin e companheiros choram de orgulho em seus túmulos. A propriedade privada é abolida. Educação, infra-estrutura, saúde, comunicações, ciência, tudo passa a ser controlado pelo governo. A economia é planificada e eleva a ilha à primeira potência mundial em tudo. Cuba é o paraíso na terra. Daí um misterioso tsunami de proporções gigantescas e vindo da região de Miami engole tudo e Cuba fica conhecida nas piadinhas americanas como Atlântida.

7- Fidel volta do além e toma Cuba
E os cubanos promovem o maior suicídio coletivo de que se tem notícia.

8 - Heloísa Helena toma Cuba
E Cuba se torna o Brasil.

Gostou do texto? Então dá um olhada nesse aqui, no Pop Prop, sobre os planos de Fidelito agora que se aposentou.

Analize this, dr. Freud *

Ontem, antes de dormir, estava ouvindo The Klaxons e o In Rainbows do Radiohead. Coisa de qualidade, como se pode ver.

Entretanto, quando pela manhã acordei cantando Tieta e Então é Natal da Simone, percebi que hoje seria dia de post sobre música (uótarréu se passou nos meus sonhos, afinal de contas?).

Costumo dividir as pessoas em três categorias, no tocante a gosto musical.

Há os fãs, aquele grupinho master pentelho que sabe tuuuudo sobre a banda predileta. Eles geralmente compram os CDs e DVDs originais e amaldiçoam até a quarta geração quem prefere não gastar um centavo com isso e baixar no Emule. Os fãs enlouquecem a cada apresentação de seus adorados ídolos e têm centenas de versões ‘ao vivo’ de cada bendita música. Costumam explicitar sua devoção no orkut (passions: minha família, meu cachorro e JON BON JOVI) e em blogs/fotologs (EoO AdOlO NxZeRoOoO). Nem ouse expressar uma única linha de desaprovação porque os caras sobem nas tamancas. Certa vez comentei que achava programa de índio passar hoooooras na fila, gastar os tubos e ainda ter que ouvir Bono Vox falando das criancinhas na África. Pior: ter que ouvir Bono Vox cantando! Nunca estive tão próxima da morte quanto nesse dia. Parecia que todos os seres humanos viventes eram fãs do U2, menos eu. Até de ‘ianque imperialista’ fui xingada. Cafonice, teu nome é fã.

O segundo grupo na minha classificação é composto por tipos aleatórios que se auto-definem como ‘ecléticos’: gostam de um pouco de tudo, passando pelo que há de mais pastel em termos de música. Pegue a programação de uma rádio de bairro e você terá o iPod de um aleatório típico. Adoooouuram Umbrella da Rihanna. Freqüentam baladinhas da moda e sonham em ir numa festa com o DJ Tiesto. Tomam parte de uma ou duas micaretas chinfrin e até em show de música sertaneja é possível encontrá-los. Alguns ainda gostam de dar pinta de ‘antenados’ e ‘descolados’ e botam banca bradando aos quatro ventos que adoooouuram Arctic Monkeys e Strokes, bandinhas super alternativas na sua concepção. Mas nem pense em discutir qualquer assunto menos mainstream porque eles só conhecem Fluorescent Adolescent e Last Night. Já ouvi gente assim se desculpando com um ’eu não me prendo a nomes de músicas nem rótulos’ e achando que arrasou. Estão no extremo oposto dos fãs enlouquecidos.

Cabe aqui uma dúvida. Numa batalha hipotética entre um fã do U2 e um batalhão de aleatórios, quem venceria? Façam suas apostas.

O terceiro tipo é onde me encaixo. Agrupo aqui os caras que não são fãs mas que conhecem todos os CDs das bandas que realmente curtem e conseguem indicar 4 ou 5 canções prediletas em cada um, entre mainstreams e menos conhecidas. Costumam detestar alguns estilos (eu, por exemplo, odeio com todas as forças pop melacueca e bandinhas nacionais) e são capazes de discutir familiaridades e rótulos sem se prender a eles. Aguardam ansiosamente pelo lançamento de novos albuns e shows porém não fazem disso um objetivo de vida. Têm uma visão mais morna sobre música e até meio sem sal, na visão de outros.

Isto dito, alguém por favor me indique um site com explicação para sonhos porque não agüento mais cantar ‘Tieta é a serpente que não tá no paraíso/Ela veio ao mundo pra tirar nosso juízo ’…

* O título inicialmente imaginado era ‘Chupa essa manga, dr. Freud’, mas achei meio forte demais para uma sexta-feira chuvosa. Que que cêis acham?

Série ‘Hoje o dia é meu’ - parte 3

A parte 1 está aqui e a parte 2 ali.  

Pois bem, estrupícios, meu aguardado aniversário está chegando e muito provavelmente você se pergunta ‘meo deos! O que vou dar de presente?’ Caaalma, querido estrupício, resolvi te dar uma mãozinha e botar aqui minha wishlist. Lógico que o presente-mor continua sendo aquele anelzinho simpático.

Brincadeiras a parte, às vezes parece difícil presentear garotas. Já vi muito cara quebrando a cabeça para agradar a excelentíssima senhora sem gastar os tubos e com originalidade. Talvez a listinha ae traga algumas idéias aos desesperados. Dificilmente uma mulher ficaria descontente se ganhasse qualquer dos itens pinçados aqui.

Flores

rosas

Gente, dar flores é um clássico do bom gosto. Na verdade, se for um maço de rosas vermelhas ou flores do campo aí é um clichê. E dos vagabundos, ainda por cima. Mas mandar flores de presente é garantia de acertar a mão e ainda dar pinta de elegância e consideração. 

Meu pai costuma escolher gérberas vermelhas ou cor de rosa ou begônias amarelas; gosto bastante de ambas. Se estiver procurando algo mais exótico, talvez tulipas ou copos-de-leite, mas são flores bem mais caras e que dependem de uma boa floricultura. Rosas champagne semi-abertas ou daquele tamanho grande em cor-de-rosa clarinho também são maravilhosas. Ou alguns lírios bem arranjados e lisiantus em tons apagadinhos. Enfim, não tem como errar. 

Bichinhos de pelúcia

wollfy  minha escolha: Wolfy

Definitivamente você não pode dar um lobinho disfarçado de ovelhinha para a sua chefe no aniversário dela, mas duvido que alguma namorada vai reclamar do mimo, especialmente no dia dos namorados. Resista a comprar o primeiro que aparecer em lojas de grandes rede; há varios sites gringos ótimos que fazem entregas no Brasil. Prefira os mais originais e com bom acabamento. E prepare o bolso: um bicho de pelúcia decente pode sair por bem mais de 100 reais.

Lingerie

lingerie minha escolha: Jogê

Também não é presente para qualquer garota: um conjunto de calcinha e sutiã deixa explícito que você espera vê-la usando as peças. Por isso, poupe-se do mico de comprar uma lingerie para a sua mãe e reserve essa opção de presente apenas para namoradas, esposas, amantes, peguetes e moças de quem você espera mais que um beijinho no rosto. 

É, possivelmente, o item de preço mais variável nesta lista. Pode-se encontrar um conjunto de lingerie de 40 a 400 reais, de marcas populares a grifes consideradas alta costura. No momento de escolher, tenha em mente duas características: qualidade e bom gosto. De nada adianta comprar uma calcinha lindíssima se a renda for daquelas que pinica; a garota não vai suportar nem meia hora com a peça e nunca mais usará novamente. Desista de recortes extravagantes e deixe as estampas animais para os bichos no zoológico; aposte nos tradicionais preto, branco e rosa e em modelos usáveis. Tente optar por peças delicadas e femininas e guarde as cafonices de sex shop para o roteiro de filme pornô.

Cosméticos

lipbalm minha escolha: lipbalm Lancôme

Peloamordedeos, estrupício, não vá fazer a burrada de dar um antiidade para a esposa. É possível que isso reduza drasticamente sua expectativa de vida.

Se quiser comprar algo da seção de cosméticos, mantenha-se na tríade segura de perfume/maquiagem/hidratante. Fuja de produtos voltados para consumidores específicos; por exemplo, hidratantes para pele seca. Você nunca saberá qual o tipo de pele a não ser que pergunte. Sempre peça ajuda a alguma vendedora e fiquei nas grandes conhecidas marcas. Vale dar uma olhada na necessaire e nas coisinhas no banheiro dela para ter uma idéia do que irá agradar.

Roupitchas

camisa-roxa.jpg 

A nova camisa do Corinthians…

Ou um vestido Pucci.

pucci

Você escolhe ;)

Me vê um lote fechado disso ae

Algumas coisas são sagradas. Paz e tranqüilidade para sorver meu toddynho pela manhã são, indubitavelmente, sagradas. Por pior que sejam minhas expectativas para o dia que começa, por mais sono que eu tenha, ao menos a redenção oferecida pelo toddynho matinal existe e nela posso confiar.

Daí a Hershey’s mete o pé na garganta do consumidor, com chuteira de travas de alumínio, e diz ‘não, você não entende nada de bebida láctea infantil sabor chocolate. Vou te mostrar como é que se faz’.

hersheys

 Deixem-me frisar duas informações importantes dessa embalagem às quais talvez vocês não tenham conferido o merecido valor:

1. ‘deliciosamente cremoso’

2. ‘muito + chocolate’

Se deus realmente existe e está nos detalhes, juro que ele me aparece nas manhãs em que puxo o lacre do meu toddynho Hershey’s. E ainda me pede um gole, o filhodaputa.

Série ‘Hoje o dia é meu’ - parte 2

A parte 1 está aqui.

Dos 24 aniversários até hoje - para o 25º ainda faltam 2 semanas - me recordo de 20 deles. E dois foram bastante marcantes, como vocês saberão a seguir.

Em 2001, o dia 05 de março caiu numa segunda-feira. Mas não qualquer segunda-feira: era a segunda-feira primeiro dia de aula na faculdade e eu era caloura. Sabe o que significa isso? Significa que uma porrada de gente que você nunca viu na vida vai lhe abraçar e cumprimentar pela data, pessoas que você ainda nem sabe o apelido (que acaba virando nome próprio depois de poucas semanas) mas que lhe acompanharão por um boooom tempo em provas, baladas, aulas chatas, relatórios, noites viradas em estudos e muitas viagens. Significa que todos os veteranos tentarão tirar uma casquinha extra da ‘menina da 38ª que faz aniversário hoje, velho!’, enchendo a caloura de beijos e tchutchus. Significa que já na primeira aula seu celular tocará incessantemente, acusando ligações de seus amigos de colegial e muitos, mas muitos familiares. Significa que você estará tão feliz que vai considerar tudo um grande presente especialmente escolhido para aquela data, até o ônibus lotado e o bife 007 do bandeijão. Significa que percorrendo o campus debaixo de um sol inclemente procurando a biblioteca, você vai suar em bicas e saber que aquelas serão memórias perenes. E você vai sorrir, o dia inteiro, até ficar com as bochechas doloridas da contração.

Do que mais lembro desse dia específico? Lembro de estar cercada de gente desconhecida até na casa em que morava, de namorar um cara havia apenas um mês e de não saber outro trajeto a não ser ‘casa-ponto de ônibus-casa’. E que meu pai havia me enviado um vaso de flores cor de rosa e eu nem tinha onde colocar porque meu quarto era de uma simplicidade monástica. Entretanto, estava plenamente satisfeita. Plenamente realizada. Plenamente feliz. Tinha escalado uma montanha absurda de difícil para estar ali e a vista era sensacional.

O outro aniversário inesquecível ocorreu quatro anos depois. Neste intervalo trancafiei num porão escuro do cérebro pensamentos impertinentes que insistiam em vagar de vez em quando. Achei que assim desapareceriam, mas os malditos ficaram por lá fermentando e crescendo como fungos imensos. Consegui mantê-los aprisionados durante toda a graduação; um dia, porém, as portas foram escancaradas e os pensamentos, livres, atacaram meu cérebro indefeso. Vivo de acordo com eles, desde então, e garanto que sou mais feliz assim.

Em 2005, 05 de março caiu num sábado, o sábado da Semana do Calouro. Minha formatura havia sido três meses antes, em dezembro. Estava prestes a fazer 22 anos e me preparando para o mestrado na área em que tinha estagiado durante longos dois anos e meio de graduação. Não era exatamente um objetivo de vida sonhado e desejado, mas também não conseguia imaginar outro caminho para seguir. Todos os meus colegas emendavam o mestrado depois da graduação, eu faria como eles. O problema é que não queria notar que eu não era como eles.

Na quinta-feira, 03 de março, aconteceu a última festa daquela semana de recepção aos bixos. Bati o carro retornando para casa, numa avenida na saída da faculdade. O roteiro foi completo: não restou muito do carro; porém, graças ao cinto, restou tudo de mim. Ainda assim tive que ser socorrida por desconhecidos (eles, novamente!), dei uma voltinha de ambulância até o hospital, fui radiografada de cima a baixo e suturada com três pontos na cabeça. Para isso, tiveram que cortar uma mechinha do cabelo que, em meu desespero, se transformou em tufos suficientes para uma peruca perfeita. Em plena madrugada, acordei minhas duas melhores amigas para que me buscassem no hospital.

No dia seguinte, o grande momento da verdade. Ligar para papai e mamãe e contar que havia sofrido um acidente e estava bem, apesar de tudo. E tentar convencê-los e não virem em meu socorro imediatamente, até porque não havia muito o que fazer. Essa foi a véspera do meu aniversário. O grande dia passei-o sozinha, meio de molho, meio de luto, cheia de hematomas e com a cabeça enfaixada, sem poder lavar o cabelo - ou que o tinha restado dele. Repensei um pá de coisas que andavam por um rumo totalmente errado naquele pedaço de caminho: minha irresponsabilidade, que ameaçava tomar proporções indesculpáveis; minha carreira, sobre a qual eu insistia em mentir para mim mesma; meus amigos, feitos mais de conveniência e coleguismo que de sólida amizade.

Costumo dizer que nesse aniversário ganhei três preciosos presentes: três pontos na cabeça, como uma recordação física que não me deixa esquecer meus limites e minhas intolerâncias, e também responsabilidade e firmeza. Firmeza para jogar o diploma recém-adquirido para o alto, dar um basta a uma situação que nunca me satisfez e traçar uma rota segura para voltar ao antigo sonho do Jornalismo. Resposabilidade para saber que, a partir dali, eu estava sozinha e precisava recomeçar. Mas isso já não me assustava mais.

Meu cérebro dói*

* gostou do título? Vai lá ver: meu cérebro dói.

Ninguém merece dor de cabeça em pleno domingo e não ser de ressaca.

Agora, dor de cabeça no domingo que transcende para a segunda-feira, aí só posso concluir que é castigo. Talvez uma eternidade no inferno não seja tempo suficiente para pagar todos os meus pecados, então alguém la de baixo deve ter tido a brilhante idéia de adiantar uma danaçãozinha para eu ir sofrendo em vida mesmo.

Se eu melhorar, tem post da série (aqueeeela, sobre aniversário, hoje o dia é meu, lembra? Cêis já esqueceram, né, estrupícios?). Sugestão de remedinho? Simpatia? Receita caseira? Reza braba?

Qualquer coisa, gente, que o meu crânio está rebentando. E não é uma sensação agradável.