Monthly Archive for Outubro, 2007

Tim Festival São Paulo - parte 1

A coisa aqui tá devagar, quase parando. Culpa minha. Além de estar de férias do trabalho - por apenas uma porém abençoada semana -, estou me recuperando da destruição física que foi o Tim Festival em São Paulo, no domingo. Além de ter os joelhos de uma velha, ainda (hoje é quarta-feira, o show foi no domingo) estou rouca. Beeem rouca.

Depois eu conto mais. Juro

É aquele lá, pai?

Não sei exatamente em que ano se deu a última passagem do cometa Halley pela Terra, mas lembro que era bem pequena. Talvez tenha sido em 86 ou 87, porque a minha irmã ainda não era nascida, mas eu já era capaz de reter esses estranhos fatos na memória. E lembrar deles depois.

Lembro que a minha casa ficou em polvorosa durante toda a semana. Meus pais até compraram um binóculo, vagabundo, para acompanhar melhor o evento. E me explicaram que o cometa passava próximo à Terra somente a cada 73 anos (acho que era esse número), que em geral uma pessoa só tinha uma oportunidade na vida de vê-lo, que seria algo fantástico, único. Já da para imaginar a minha ansiedade, néam?

E aí, uma noite, me acordaram (e eu acho que já era bem tarde, porque eu não queria levantar de jeito nenhum), me colocaram no carro e fomos até um clube na saída da cidade para ver o cometa. Chegamos lá e haviam outras pessoas que tinham tido a mesma idéia! E todo mundo estava olhando para o céu escuro e eu não via nada. Absolutamente nada. Era um céu escuro normal, como em todas as outras noites dos 73 anos em que o Halley não passa. Fiquei achando que o cometa já tinha passado e nós havíamos perdido a hora. Porque, na minha cabeça de 3 anos, a passagem de um cometa seria como uma estrela cadente gigante riscando o céu: algo incrivelmente intenso e muito rápido. Não haviam me explicado que o cometa pode ficar até uma semana à vista, no céu, paradinho. E que ele é pouco mais que uma estrela grandona com uma cauda luminosa. Fiquei com sono e fui dormir no carro. E foi assim que perdi a talvez única oportunidade na vida de ver o Halley.

No dia seguinte meus pais disseram que teria sido realmente muito difícil ver o cometa porque ele só estava visível para os países do hemisférios norte (eles devem ter explicado de outra forma, porque assim eu não iria entender nunca). E foi assim que comecei a ter uma raiva imensa dos países sortudos do hemisfério norte.

Daí, na quinta série, iria haver um eclipse total do Sol. Uma coisa assim, incrível. Nós até tivemos que fazer umas maquetes bizarras com a Terra, o Sol e a Lua, demonstrando como ocorrem os eclipses e tal. Uma coisa assim, inútil. E mandaram a gente levar chapas de radiografias para proteger os olhos durante o momento maravilhoso do eclipse.

No dia seguinte, todo mundo na sala com suas chapas preta e cinza de joelhos, colunas, pinos no braço, uma coisa assim, linda. Tão legal que ficamos vendo as radiografias uns dos outros e quase perdemos o evento. Eu levei minha primeira radiografia do meu joelho (que já era podrinho) e a perdi. Minha mãe ficou bem brava.

Então, fomos para debaixo do sol. Pouco quente? Devia ser umas 11 da manhã e eu moro nos trópicos. E ninguém avisou que seria um processo demorado, esse da Lua entrar na frente do Sol (é isso mesmo?). E foi enchendo o saco ficar lá no sol, braço estendido na frente da cara, e só um pedacinho minúsculo do Sol coberto. Quando já estava, sei lá, metade do Sol tampado, a gente já tinha desistido e estava correndo e se descabelando pelo pátio, que era muito mais divertido.

Mas eu tinha curtido aquilo do eclipse. Tinha achado super fantástico. Mas também tinha achado que eclipse era como o cometa Halley, uma vez a cada zilhões de anos e só para alguns países de hemisférios sortudos. Daí, quando percebi que às vezes tem mais de um eclipse por ano, perdeu a graça. Como é que pode ser especial se acontece sempre?

Apesar desses desapontamentos, por muito tempo eu quis ser astrônoma. Mas essa história fica para depois.

Na verdade, isso tudo foi para mostrar esse site de fotos divulgadas pela NASA. Todos os dias, é divulgada uma nova foto com uma pequena explicação. Se a sua barra de rolagem ficar instantaneamente minúscula, não se desespere. Não é o seu computador pirando. É que há fotos desde 1995. Para “ex-astrônomos”, é de encher os olhos.

Parafuso

Ligo. Não ligo. Ligo. Não, melhor não ligar. Melhor mandar uma mensagem. Uma mensagem? Sobre o que? Não tenho assunto. Vou ligar. “Oi-tudo-bem-só-pra-saber-se…” Saber nada. Não tem nada para saber. Se tivesse, ele teria me ligado antes. Teria?

Ligo. Não, não vou ligar! Sossegue, não ligue, mande uma mensagem. É, só uma mensagem, assim, sinal de vida. Chamando ele daquele jeito que só a gente se chama. Engraçado como as pessoas tem esses pequenos laços ridículos entre si: apelidos que só os envolvidos conhecem e entendem, as pequenas histórias, as risadas, cada coisa besta e ridícula. Fernando Pessoa estava certíssimo - aquele “cartas de amor são ridículas/não seriam de amor se não fossem ridículas”, sabe?

Vou mandar. Será que é muita pegação no pé? E se ele me achar uma chata, que fica mandando mensagem o tempo todo? Odeio esse mundo moderno, quero voltar para os anos 20. Nos anos 00 você dorme com o cara, beija o cara, e não pode mandar uma mensagem no dia seguinte. Nesse caso, nos dias seguintes. Pare o mundo que eu quero descer. E voltar lá para os anos 20.

Vou mandar. Mandando. “Enviando. Mensagem enviada com sucesso!” Merda. Não devia ter mandado. Putz, não devia ter mandado mesmo! E se a namorada dele pega essa mensagem? Bom, aí problema dele. Namorada que fuça celular é um porre, puta falta de respeito, isso. Além do que, quem procura, acha. Namorada que se preze não devia ficar procurando muito, não. Porque sempre se acha alguma coisa. E se ela achar, problema dele. E dela, claro.

Droga, não devia ter mandado. Aí ela acha, e ele fica puto comigo. Tipo, você dorme com o cara, beija o cara, manda uma mensagem no dia seguinte (nesse caso, nos dias seguintes) e se a namorada dele acha a mensagem no celular dele, ele fica bravo é com você! Pára tudo!

Putz, ele não vai responder? Já faz uns 10 minutos. Ele nunca demorou tanto pra responder. Será que chegou? Será que o celular tá ligado? Vou ligar e ver. Não, não vou ligar não!

Ele não vai responder a porra da mensagem? Nunca mais mando mensagem pra esse infeliz. Nunca mais nem falo com ele, nem olho pra ele. E isso é difícil, viu. Os pais deviam estar muito empolgados quando fizeram ele, porque o resultado ficou lindo. Lindo mesmo! Sabe? Nuca, cabelo, orelha… ai meu deeeus.

A culpa é minha. Não devia ter mandado a mensagem. Não devia nem ter ficado com ele da primeira vez. Já sabia que ele tinha namorada. Por que eu faço isso, caralho? Eu sei que eles têm namorada, mas insisto. Nunca mais fico com cara que tem namorada. E nunca mais falo com esse infeliz. Nem olho pra ele.

Ele não vai responder??

* esse texto é uma reedição

No donut for you

Desde ontem o Wordpress não tem funcionado bem. Talvez seja só comigo, mas está sendo quase impossível logar. Hoje, graças a minha irmã, fizemos umas gambiarras  e cá estou, novamente.

Para compensar o dia de ontem sem textos, teremos uns 2 ou 3 hoje.

Diamonds are a girl’s best friend

Tenho recebido propostas exóticas de leitores do Coisa Errada. Minha resposta é sempre a mesma: só depois desse anel no dedinho.

Diamonds are a girl’s best friend

Tenho recebido propostas exóticas de leitores do Coisa Errada. Minha resposta é sempre a mesma: só depois desse anel no dedinho.

Diamonds are a girl’s best friend

Tenho recebido propostas exóticas de leitores do Coisa Errada. Minha resposta é sempre a mesma: só depois desse anel no dedinho.

Crônica de uma morte anunciada

Cantava aquele refrão adesivo “andar com fé eu vou, que a fé não costuma falhar”, enquanto tomava um café horrível de coador e fitava o celular. Um telefone que não toca, literalmente, porque além de nunca receber chamadas (a não ser quando havia algum maçante problema a ser resolvido), o aparelho agora estava quebrado e não produzia nenhum som. Uma coisa totalmente inútil, ela pensava. E lembrava das incontáveis vezes em que havia olhado hipnoticamente o celular, esperando que acusasse uma ligação ou uma mensagem de algum cara ridículo, dos vários caras ridículos que haviam passado pela sua vida ridícula.

Terminou o café já frio, abriu a janela e atirou o aparelho à rua. Diretamente do terceiro andar para o asfalto. Espatifado em mil pedaços e nenhuma lágrima.

Trabalhou o resto do dia assoviando mentalmente, um leve sorriso a estampar-lhe a rosto.

Vida de Bióloga

Durante uma matéria de Comportamento Animal na faculdade, foi proposto um trabalho de tema aberto para ser apresentado no final do semestre. Uma amiga muito querida e eu resolvemos relacionar o que os homens buscam num relacionamento e o que preferem as mulheres. Na verdade, não me lembro muito bem qual o objetivo do trabalho, mas é impossível esquecer a metodologia que utilizamos: analisar as contas de usuários de serviços como o Yahoo!Encontros e tentar traçar uma relação de tudo o que está lá.

Servindo de parâmetro, comparamos perfis de pessoas da cidade de São Paulo com perfis de moradores do Rio de Janeiro e, numa tentativa de aplicar alguma teoria que explicasse o comportamento sexual, comparamos também as tendências masculinas com as femininas, evidenciadas através desse serviço de namoro.

Preciso explicar que nossa frequência nas aulas dessa matéria era pífia. Estávamos mais interessadas em cumprir os créditos a levar alguma coisa realmente a sério. O fato é que gostávamos de Comportamento Animal como os telespectadores gostam do Discovery Chanel: é curioso, rende assunto para conversas de boteco, mas só. Nem ela nem eu imaginávamos pesquisar seriamente esse assunto em nossos respectivos laboratórios. Por esses motivos, o trabalho foi uma extensão da nossa curiosidade natural ligada a uma eterna vontade de se divertir, pura e simplesmente.

Pois bem, para termos acesso aos perfis, foi necessário criarmos uma conta. Inicialmente imaginamos criar a conta e deixar que os interessados nos procurassem, para então analisar esses perfis. Mas estávamos sem tempo e, aparentemente, perfis sem fotos não despertavam lá muita procura. Criamos um personagem masculino e um feminino, de 30 anos e interesses genéricos como viajar, cinema e literatura. Até o dia em que desabilitei as contas, uns 3 meses depois, havia recebido umas 3 mensagens de homens que haviam gostado do personagem feminino.

Uma coisa interessante do serviço do Yahoo!Encontros que acredito que exista em outros similares é a opção de escolher qual tipo de relação você busca: amizade, namoro, casamento e se a relação é hétero ou homossexual. Escolhemos o combo “namoro heterossexual”. Também é necessário responder a umas perguntas criadas pelo site. No final, é feita uma escala que mostra o quanto o usuário se interessa por coisas como beleza física, situação financeira e cultura. Os interessados só têm acesso a essas informações se o dono do perfil permitir.

Como não havíamos despertado interesse e por isso não tínhamos universo amostral para analisar, resolvemos escolher 10 mulheres e 10 homens do Rio de Janeiro e a mesma quantidade em São Paulo, aleatoriamente. E descobrimos o que mais ou menos o bom senso já nos indicava: no Rio de Janeiro, cidade de praia, a coisa mais importante para homens e mulheres é a beleza física. Já em São Paulo, características como cultura aparecem em primeiro lugar, mas numa segunda posição bem próxima da primeira está a situação financeira. Provavelmente porque São Paulo ainda é uma cidade ligada a trabalho, sucesso profissional, estudo, etc.

Já a comparação entre homens e mulheres mostrou que eles ainda dão mais valor à beleza física e elas, a cultura. Em segundo lugar vem cultura para eles e situação social para elas. Para homens é importante a situação financeira da parceira apenas em terceiro lugar, enquanto que para as mulheres, a beleza física ocupa a mesma posição.

Fizemos uma apresentação bizarra em Power Point, o melhor amigo dos universitários. A conclusão foi bem fraca e tivemos dificuldade para embutir alguma teoria nisso tudo, é claro. Mas acho que foi o trabalho mais divertido que fiz na graduação e, com certeza o mais original. Teve gente que quis nos indicar para o prêmio Ignobel, para acho que ao menos serve como mais um assunto de boteco.

O meme da página 161

Daquelas coisas estranhas que aparecem… O Inakagi, do Pensar Enlouquece, indicou esse meme para a Marisa, do Objetos de Desejo, que o passou ao Gabriel Villa, do Don’t talk to me about life (eu AMO esse nome!) que, agora, o indicou a mim. E cá estou, tentando descobrir quem ainda não respondeu ao meme e gostaria de continuar a brincadeira.

Quando ao meme em si, trata-se de pegar o livro mais próximo, abrí-lo na página 161 e transcrever a quinta frase completa que aparecer. No momento, estou lutando com o El amor en los tiempos del cólera, do Gabriel García Marques. Assim mesmo, em espanhol. Como me era o livro mais próximo, meu trecho é o seguinte:

“Tuvo el buen sentido de no esperar una contestación inmediata, pues le bastaba con que la carta no le fuera devuelta.”

Pena. Há passagens de uma elegância narrativa que me arrancam lágrimas, e essa é tão “aperitivo”…
Já leram O amor nos tempos do cólera? Livro mais que fantástico. Mas meu predileto do García Marques ainda é Cem anos de solidão, que lerei no original em espanhol assim que terminar este. Sugiro, sempre que possível, ler no idioma original porque, por melhor que seja a tradução - e há excelentes por aí, inclusive com o Mario Quintana como tradutor - , algo de muito particular da linguagem do escritor acaba se perdendo.

Nabokov, o autor de Lolita, é sensacional, especialmente no inglês. Imagina como deve ser em russo…

 Passo a tarefa de transcrever a quinta frase completa da 161ª página do livro mais próximo para os seguintes blogs:

Fotos da Sandy Pelada, do querido e hilário Ronald Rios;

Pedro Doria, simplesmente O cara;

Chiqueiro Chique, da Marina Santa Helena;

Zel, minha agente de viagens particular; e finalmente

Fogo nas Entranhas, da Gabi - nome de blog bem sugestivo também, né não?

 Para os que estão apenas vendo a sexta-feira passar e aguardando ansiosamente pela hora de sair do trampo, vale a pena dar uma conferida nesses blogs acima. Fazem o dia ficar mais leve e o chefe, menos chato.

PS: Gabriel, eu fico sem graça com elogios assim… ;)